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A banda The Vamps resolveu dar um tempo. Depois de uma década, quatro álbuns e várias turnês (inclusive passando pelo Brasil em 2016 e 2017), o grupo formado por Bradley Simpson (vocais e guitarra), James McVey (guitarra), Connor Ball (baixo) e Tristan Evans (bateria) sentiu que era hora de dar uma pausa. “Chegamos em um ponto que precisávamos parar para saber o que queríamos fazer depois”, conta Simpson. “Nós precisávamos de tempo para ficar entendiados.”

E assim foi feito. Longe da banda, os integrantes tiveram a oportunidade de viver experiências individuais. “Tivemos muito tempo para refletir, mas também para ouvir diferentes álbuns e apenas curtir a música”, lembra McVey. Revigorados, os rapazes se reuniram novamente no meio do ano passado para escrever novas faixas. “Nós escrevemos uma música chamada ‘Part Of Me’ em uma dessas sessões e foi quando nós ficamos tipo ‘caramba, vamos fazer um álbum inteiro assim!’”.

Com uma referência estabelecida, o processo de criação começou a fluir. Para colaborar na produção, a banda chamou Jack & Coke (Charli XCX), Lostboy (Dua Lipa) e JHart (Camila Cabello), que ajudaram a trazer um novo som para a The Vamps. E assim surgiu o disco “Cherry Blossom”, que representa um verdadeiro renascimento para o grupo.

O álbum, finalizado durante a quarentena, é descrito pela banda como o seu mais pessoal e mais coeso até hoje. A sensação de liberdade buscada pelo grupo durante a pausa permeia o projeto, seja no eufórico primeiro single “Married In Vegas” ou no recém-lançado “Chemicals”. No bate-papo que tivemos com a banda, eles revelaram detalhes sobre o processo de criação das novas músicas, refletiram sobre a carreira e contaram o que lembram da passagem pelo Brasil.

Papelpop: Oi pessoal, como vocês estão? Como têm lidado com esses tempos estranhos? Algum novo hobby?

Bradley: Sabe, eu tenho cozinhado um pouco mais, na verdade. Tenho me envolvido mais na cozinha, estou curtindo. Percebi que o segredo é o tempero, pra realmente realçar o sabor. É isso, muito tempo na cozinha, e também terminamos o álbum, Cherry Blossom, que sai no final de outubro. Muito trabalho para finalizar o álbum, dando os toques finais, é o que temos feito.

Papelpop: Estou certo em dizer que este foi o processo de criação mais diferente até agora na carreira de vocês?

James: Eu acho que esse álbum tem sido bem diferente. Antes da pandemia, nós passamos algum tempo em casas alugadas no Airbnb, só nós quatro. Alugamos casas no meio do nada e nos isolamos algumas semanas para escrever as músicas do álbum. Mas aí tudo mudou com o coronavírus, obviamente não poderíamos estar fisicamente juntos, então passamos bastante tempo trabalhando mais no lado da produção.

Eu acho que com esse álbum ficamos mais pretensiosos nesse aspecto, até mesmo em relação a sons individuais da bateria nas músicas, ou a configuração da guitarra. Como não podíamos fisicamente estar juntos, conversar, fazer as coisas, ficamos bastante tempo focados em cada pequeno som do álbum, mais do que nunca. Então sim, tem sido um processo bem diferente, e finalizar o álbum estando fisicamente separados foi muito estranho, mas terminamos.

Papelpop: Vocês acham que a pandemia irá afetar a experiência dos fãs com o disco? Vocês encontraram novos significados para esse projeto depois de tudo o que tem acontecido?

Tristan: Eu acho que as pessoas em geral estão com mais tempo livre, sabe. Eu tenho ouvido música e assistido filmes de forma diferente, acho que estamos com mais tempo para apreciar o que estamos ouvindo ou assistindo. E tem muitas pessoas trancadas em casa, entendiadas, tentando encontrar novas maneiras de se divertir, que podem descobrir por acaso um som novo que nunca tinham ouvido antes.

Bradley: Tem muitas letras nesse álbum… Isso que é muito louco na música, esse desejo de sentir a sensação de que a música fala. Isso meio que ganha vida própria para as outras pessoas, se torna uma música diferente para cada um, e é muito animador saber disso. “Married In Vegas”, por exemplo, é uma música sobre se apaixonar, mas aí ela saiu durante a pandemia e talvez se tornou uma catarse para outra pessoa, porque ela não pode sair e ver os amigos. Sabe, virou uma música para ouvir nessa hora, como um escape.

Eu acho que, não intencionalmente, ao longo da pandemia as músicas vão assumir um significado diferente. Por exemplo, uma música que era sobre desintoxicação das redes sociais, talvez você não havia percebido esses maus hábitos que tinha antes da pandemia e agora, se afastando do seu trabalho, da correria do dia-a-dia, a pandemia te possibilita essa perspectiva e te faz ouvir música com essas coisas em mente também. Eu acho muito interessante.

Papelpop: Quais foram as principas referências para “Cherry Blossom”, em termos de sonoridade?

Bradley: Para algumas músicas nós sabíamos que queríamos uma bateria com um som mais de arena. Tem algumas partes bem distorcidas, mas não de uma forma óbvia, por exemplo, nos vocais tem essas distorções que aparecem durante o álbum. Muitas partes de guitarra e bateria também estão distorcidas, mas espero que de um jeito que não seja abrasivo, sabe, tentamos encontrar uma distorção que não ficasse desagradável.

Nós intencionalmente tentamos não ouvir outras músicas, influências externas, porque consciente ou inconscientemente isso acaba se infiltrando na música e queríamos fazer algo que soasse completamente livre de interferências externas.

Tristan: Eu acho que quando Lostboy nos enviou “Chemicals” de volta e nós ouvimos pela primeira vez, pra mim essa foi a referência para o álbum, definitivamente. Nós meio que focamos em conseguir aquele som de “Chemicals”, e isso influenciou a produção do resto das faixas, eu acho.

Papelpop: Eu estava vendo alguns comentários no clipe de “Married In Vegas” e muitos fãs dizem que o som de vocês está completamente diferente de antes. Foi intencional?

Bradley: Sim, eu acho que em parte foi intencional, [e em parte aconteceu] naturalmente. Faz dois anos desde que lançamos músicas, muita coisa acontece em dois anos, você muda como ser humano, com todas as coisas pelas quais você passa. E o tipo de música que você ouve, ou o tipo de música que você escreve, eu acho que naturalmente há uma progressão nisso, e nossa intenção com esse álbum era criar um trabalho que amássemos e que tivéssemos orgulho. E também queríamos fazer algo para que os fãs embarcassem nessa jornada conosco, apresentando algo que não necessariamente eles esperavam de nós. Então a ideia é trazer todo mundo para esse novo lugar musical que criamos com “Cherry Blossom” e abrir as pessoas para estilos diferentes do que ouviram antes.

Papelpop: A arte da capa também está bem diferente das anteriores. Qual foi a intenção de vocês com essa capa?

James: Ah, isso foi muito legal pra gente! Sabe, no passado nós fizemos ensaios fotográficos mais convencionais para os álbuns e dessas vez tínhamos duas razões pelas quais não queríamos fazer isso. Primeiro que era fisicamente impossível, devido ao coronavírus, mas também queriamos fazer algo um pouco mais abstrato e instigante. Eu acho que as novas músicas deram origem a isso, é um grupo de músicas que mostra bem essa direção um pouco diferente no nosso trabalho. E o título, “Cherry Blossom” (flor de cerejeira), tem muito potencial, queríamos trabalhar com alguém que normalmente não faria isso, então trabalhamos com um artista maravilhoso. Ele cria as coisas no computador, e muito do que ele faz parece fotos reais, mas na verdade ele faz tudo digitalmente.

Nós estamos curiosos para ver como as pessoas vão interpretar a arte da capa. No meu ponto de vista, o arco formado pelo V de cabeça para baixo pode simbolizar um convite para ir a algum lugar, e a flor de cerejeira é auto-explicativo, significa renascimento, mas não queríamos algo tão literal. Achamos que o ouro poderia simbolizar o valor do renascimento e da natureza… Mas sério, nossa intenção com essas músicas e com a capa é permitir que o público interprete à sua própria maneira e acho que essa é a beleza da música e da arte. Está nas mãos do público decidir o que eles querem absorver.

Papelpop: Contem-nos mais sobre o novo single, “Chemicals”.

Bradley: Foi uma das últimas músicas que escrevemos para o álbum e foi a primeira vez que trabalhamos com o Lostboy, que depois se tornaria co-produtor do álbum. Estávamos querendo trabalhar com ele há algum tempo, porque ele tem um estilo de produção bem particular, uma produção mais limpa, com espaços. Nós tínhamos o riff da guitarra, e ele meio que construiu tudo a partir disso, colocou essa bateria com som mais de arena, que nunca tínhamos programado antes, não desse jeito, com umas distorções. Ele também produziu meus vocais de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes, então teve muitas coisas que nós sentimos que representavam o começo de algo muito legal. Essa música é muito inspiradora, de várias maneiras diferentes. É uma música divertida sobre se apaixonar e o quão pesado e difícil isso pode ser, e a produção meio que inspirou a sonoridade do resto do álbum.

Papelpop: Faz meia década desde o álbum de estreia de vocês. Se vocês pudessem encontrar aqueles caras, o que eles diriam pra vocês?

Bradley: Boa pergunta!

Tristan: Eu acho que eles ficariam tipo “vocês cresceram rápido demais, vão mais devagar”…

Bradley: É, tipo “vocês têm toda a vida pela frente, relaxem”… Não sei, o que o meu eu mais jovem diria?

James: Provavelmente não muito. (risos)

Bradley: Essa é difícil…

Papelpop: E o que vocês diriam pra eles agora, para as suas versões mais jovens?

Tristan: Eu acho que eu diria para o meu “eu” mais jovem pra cortar o cabelo de um jeito melhor, porque meu cabelo era horrível… (risos) Eu acho que diria “confie em si mesmo, se divirta”, e nós realmente nos divertimos muito naquele tempo. Obviamente ainda nos divertimos agora! (risos)

Papelpop: Pra terminar, queremos saber o que vocês lembram do Brasil! Quando vocês voltam?

Bradley: Nós queremos voltar o quanto antes. O que lembramos sobre o Brasil? Shows incríveis…

Tristan: Churrasco incrível, vinho incrível… Os shows foram maravilhosos, a energia era muita boa. Eu amei, sinto muitas saudades.

James: Foi no Brasil que tivemos aquele show espetacular e depois fomos para aquele bar com uma área externa?

Tristan: Sim, foi no Brasil.

James: Eu acho que foi a primeira vez em muito tempo que eu estava saindo, eu não lembro do nome do lugar, mas lembro que a vibe estava muito legal, todo mundo dançando, se divertindo…

Tristan: Era meio que uma mistura de bar e boate, né? Foi muito legal, também curti… Vibes brasileiras.

Bradley: Algumas de nossas melhores memórias aconteceram no Brasil, vocês têm uma paixão por música, todos os shows e noitadas que tivemos foram loucos… Amamos o Brasil, de verdade, mal podemos esperar para voltar!

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