AgendaPróximos eventos

17/09 São Paulo – Brasil
20/09 Buenos Aires – Argentina
23/09 Auckland – Nova Zelândia
26/09 Brisbane – Austrália
27/09 Sydney – Austrália
30/09 Melbourne – Austrália
03/10 Perth – Austrália
10/10 Tóquio – Japão
11/10 Tóquio – Japão
13/10 Osaka – Japão
15/10 Taipei – Taiwan
02/02 Cape Town – África do Sul
03/02 Johannesburg – África do Sul

No último dia 3, James, guitarrista da banda The Vamps, escreveu e publicou seu primeiro artigo que fala que “está tudo bem em não estar tudo bem” e que os homens devem aprender que suas emoções não são suas inimigas. Ficou curioso? Confira a tradução completa:

Antes dos homens descobrirem como controlar o fogo e como fazer o fogo funcionar, esse era o maior inimigo do homem. Da mesma maneira, emoções podem ser seu maior inimigo, pois, sob controle, suas emoções podem fazer você mais feliz e mais saudável. Volte 65 anos e essa ia ser a abertura de um filme de Coronet (produtor e distribuidor de documentários americanos) que você deve ter assistido na sua televisão. Sim, em 1950, o curta intitulado Control Your Emotions pretendia estabelecer um precedente a respeito de como suprir emoções. Desde então, chegamos longe de várias grandes maneiras.

Fomos à Lua, descobrimos uma vacina contra a varíola, abolimos as leis de Jim Crow em todo os Estados Unidos e finalmente exterminamos a diferença de remuneração entre homens e entre mulheres do Reino Unido. Vivemos em um mundo de tecnologia onde somos encorajados a nos expressarmos através do mais recente smartphone.

Felizmente, a atual sociedade tem, em maior parte, crescido em reconhecer a importância de expressar suas crenças e seus sentimentos. Basta dirigir-se ao YouTube e você vai ser apresentado à uma infinidade de personalidades, todas igualmente dando o direito de dividir suas opiniões com o mundo. Nossas leis de liberdade de expressão dão direito a todas as raças, a todos os gêneros e a todas as sexualidades. Em maior parte, essa é uma boa coisa. Como Coronet Films ia lidar com o Twitter e com o Instagram? Temo pensar.

Certamente, ter facilmente com o toque de um botão os meios para nos expressarmos deve significar que somos de longe a geração que mais se sente confortável em falar sobre nossas lutas e sobre nossas emoções. Com isso considerado, lhe faço 2 perguntas: primeiramente, por que o suicídio é sozinho a maior causa de morte de homens entre 18 e entre 45 anos e, segundamente, se a taxa de suicídio feminino está caindo significamente, por que isso não vale para nós homens também? Apesar das colisões de trânsito e de uma série de doenças terminais, o suicídio ainda reivindica mais vidas masculinas que as duas coisas. Sim, nós homens representamos 3/4 de todo o suicídio do Reino Unido.

Francamente, as estatísticas são chocantes. Os dados coletados pela Campaign Against Living Miserably (CALM – Campanha Contra Vida Miserável) mostraram que em 2014 por dia a média era de 12 suicídios masculinos. Isso é alarmante, mas para mim o que é igualmente preocupante é o fato que em 30 anos essas estatísticas mal melhoraram. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 1085, 12 em cada 100 mil homens se suicidaram em comparação com a atual média de 11 em cada 100 mil homens que se suicidam também. Francamente, a pergunta que precisamos fazer é “por que?”.

Por que estamos tão atrasados em reconhecer essa questão masculina e em não trabalhar juntos para salvar mais vidas? Uma única vida salva é obviamente um passo na devida direção, mas esse passo me parece um tanto minúsculo ao me dar conta que uma vida masculina era perdida a cada 120 minutos no mesmo ano de 2014. Lhe pergunto: desde os anos 50, mudou o que diz respeito a atual visão social de um homem estereotipado? Parece estúpido, não parece? Mas isso meio que está literalmente nos matando.

Hoje em dia, às vezes podemos nos desviar do inglês da rainha e deixar cair nosso “t” ou perceber que fumar pode nos matar, mas a verdade é que, conscientemente ou não, a sociedade que vivemos ainda adota várias dessas, talvez infelizmente não tão obviamente, antigas construções de gênero. Ainda há a ideia que o homem da casa é o “pão vencedor” de toda família. Um enorme número de homens ainda sente a grande pressão de prover e esses homens se sentem culpados quando eles não conseguem prover. Falhar consequentemente é degradante ou faz com que eles se sintam “menos homens”. Os homens têm vergonha de admitir quando eles caem psicologicamente e, talvez até mais importante, mentalmente também. Por que isso?

Para mim, acredito que esse processo começa desde uma idade muito precoce. Durante a escola, os meninos são ensinados a mentalidade que “grandes meninos não choram” quando eles caem no parquinho. Os meninos mais fortes tendem a brilhar e a ganhar seu lugar na mesa da popularidade. Se aos 8 anos você tivesse me perguntado o que queria ser quando tivesse crescido ia ter dido um soldado ou um bombeiro. O que você ia dizer se lhe perguntasse quais típicas características você associa com essas profissões? Corajoso? Musculoso? Corpulento? Um eu mais jovem ia dizer que eles eram fortes, grandes e corajosos. Aos 8 anos não sabia tanto sobre inglês, sobre matemática ou sobre qual era a capital da Islândia, mas na minha cabeça sabia que para alcançar meus sonhos precisava ser forte e ser corajoso. Entretanto, como isso é relevante? Bom, argumento que o desejo de ser forte, grande e corajoso constitui o que para muitos é “ser homem”.

Falhar em ser forte na escola em um dia de esporte podia resultar em um menino sendo falado que ele “joga como menina”. Na maior parte do tempo, os meninos são automaticamente vitimizados por seus colegas quando eles caem abaixo da linha de expectativa. Consequentemente, muitos meninos crescem se sentindo envergonhados por parecerem “fracos” – todos já ouvimos isso nos filmes ou nos provérbios “se alguém perguntar eu que terminei com ela, ok?” e/ou “sou um grande menino, consigo me virar sozinho.”. Muitos se esforçam para evitar serem tachados como vítimas. Acredito que essa mentalidade de evitar ser tachado como fraco continua na idade adulta. É aquele velho ditado: “mantenha a calma e continue.”. Seja como for, o problema é que a grande maioria dos homens simplesmente não consegue “ficar calma”.

A pressão que eles sentem para parecer para todos em sua volta que eles estão bem e que eles estão no controle das suas vidas apesar do que está realmente acontecendo sob suas peles pode ter grandes repercussões. Sentindo-se envergonhados, muitos homens se voltam para dentro, perseverando através de redundâncias, de rupturas conjugais e de questões financeiras por medo de manchar suas reputações “como homens”. Como vimos, essa fachada de parecer sem emoção do lado de fora tentando se segurar ao estereotipo de “pão vencedor” pode levar à severos resultados. Os homens estão lutando para se expressarem abertamente e estão se transformando em um espiral de repressão regressiva.

Como homens, não precisamos “controlar nossas emoções” para sermos “felizes e saudáveis”. Nossas emoções não são nossos inimigos, devíamos abraçá-las. A fim de sermos verdadeiramente felizes e saudáveis primeiramente devemos perceber que está tudo bem em não estar tudo bem. Como humanos, devíamos nos sentir iguais em emoções, pois para emoções não há gêneros, devíamos nos sentir confortáveis em aceitar e em reconhecer que emoções são normais.

Como homem, devia me sentir livre para expressar meus sentimentos nos meus termos e não nos termos que a sociedade quer ou deseja. Só quando reconhecermos e desmantilharmos as construções de gênero societárias e padronizadas que ainda existem até hoje, o que inibe como os homens se expressam, seremos capazes de lidar eficazmente com a profunda estatística de suicídio masculino.